terça-feira, setembro 03, 2013


Estamos prontos. Digo para você, meu coração, estamos prontos.
Prontos para ir, prontos para partir, prontos para voar.
Porque é preciso voar. É preciso partir. É preciso ir
Pois só partindo se consegue fechar a porta de vez; só indo a estrada começa a ser construída, só voando se poderá ver lugares nunca antes imaginados.
Sim, a hora é agora, meu coração. Estamos prontos para ir, estamos prontos para partir, estamos prontos para voar... 
 
Patrícia Prado

Eu tenho um nó na garganta. Um nó já conhecido, que me acompanha há um tempo e que agora começa a se desfazer.
Eu tenho um nó feito de vontades esquecidas, gritos silenciosos, desejos adormecidos...que se desfaz pois tornou-se demasiadamente apertado, demasiadamente incômodo, demasiadamente incoerente.
Eu tenho um nó na garganta; e esse nó leva-me a ânsias distintas, entre elas a de virar a mesa sem se importar com a taça que se quebrará, com o vinho que se perderá, com os cacos que sobrará....Porque dentro do furacão há um olho; nas profundezas das águas pode haver tesouros; no caos uma estrela pode nascer...
E é por isso que o nó deve ser desfeito; para que a poesia presa, ferida, perdida, renasça outra vez, para que ela, a poesia, salve a vida. O nó que me prende a garganta prende a poesia.
E como disse meu amado Pessoa " "A única maneira de teres sensações novas é construíres-te uma alma nova." E para que a alma nova venha é preciso desfazer o nó... Desfazendo os nós será possível construir esta alma: Uma alma não apenas nova, mas vestida de poesia...

Patrícia Prado

sábado, fevereiro 02, 2013

Sonhar com você me levou a pensar...

Que saudade...
De quando éramos apenas nós
De quando não precisavamos de palavras para entendermos o que você e eu queríamos, pois nosso olhar era capaz de dizer tudo e muito mais...
Mas o tempo passou e na busca por explicações dadas pelas palavras deixamos a sensibilidade do ato pela racionalidade dos porques.
E hoje, como o olhar turvo pelo medo nos perdemos ficando apenas a lembrança de quando éramos muito mais que apenas nós: éramos você e eu fundidos em um só desejo.


Patrícia Prado

sexta-feira, janeiro 11, 2013

Coisas pequenas

"Coisas pequenas são
Coisas pequenas
São tudo o que eu te quero dar
E estas palavras são
Coisas pequenas
Que dizem que eu te quero amar".

Madredeus

O pedido

Perdoe-me amor se o exponho nestas linhas trêmulas que pretenciosamente tem a intenção de lhe chamar a atenção. Perdoe-me.
É que não sei guardar segredo e você é o meu segredo.
Perdoe-me se lhe sufoco com a minha sede que só aumenta mesmo sabendo que me encontro diante de um poço que nunca poderá me saciar.
É que a cada dia sinto-me mais fraca pois desde que chegastes  suga-me a vida em expectativas que ora tem o som de sim, ora do não. Perdoe-me.
Perdoe-me se me faço de surda só para viver a ilusão de uma felicidade que vem em pequeninos respingos de amizade.
É que ainda não me acostumei com a sua ausência mesmo sabendo que você nunca será presença. 
E eu lhe peço perdão. Perdão por lhe amar demais, por lhe querer demais, mais do que você possa imaginar.

Patrícia Prado


Algumas palavras



Já não sei quem sou, pois o que em mim hoje se vê é o reflexo de um amor que dia após dia ocupa cada espaço do meu ser.
E quem é você amor? Que chegastes sem hora marcada, que entrastes sem ser convidado e agora é mais que um visitante é parte de mim e expulsa-lo seria o mesmo que anular-me.
Sim o amor encontrou um porto e lançou suas âncoras na minha solidão tornando-se desde então senhor destas terras que outrora eram só minhas e de mais ninguém.
Se sua presença preenche a vida da mesma forma ela esvazia, pois como viver um amor que vem só?
Silenciosamente ele grita, mas seu grito apenas faz tremer a espessa relva que já começa a crescer em torno deste coração que sem cuidado apenas sente, sente e sente. 

Patrícia Prado

domingo, janeiro 06, 2013

A entrega



Diante da luz que teima existir, o escuro.
Que nasce de uma ideia fixa que atormenta diariamente o coração.
Em gritos silenciosos a alma congelada pelo desprezo teima em ser aquecida pela velha esperança que travestida de sonhos chega e desequilibra as ações.
O que fazer se ninguém vê? Eu grito, eu chamo, eu falo, mas ainda assim, ninguém vê.
O que fazer?Meu Deus o que esta a acontecer?
Um teste. A vida e seus inúmeros testes e eu cansada de vivencia-los e nunca entende-los.
Estou farta de tantas dúvidas que se misturam com certezas. Sinto-me a beira da loucura, solitária loucura.
A roda do tempo gira, mas a roda da vida estagnou-se. Sinto-me cansada. Estou cansada.
Quero dormir e nada mais. 

Patrícia Prado

Alice e o país que nunca é uma maravilha



A teimosia é uma das características comuns aos seres que pensam amar, digo pensam porque se houvesse amor suficiente por si mesmo não se pegaria a bater em pedra dura na esperança de que um dia irá furar.
Tem coisas que nunca serão porque não são! Mas parece que nós, seremos humanos, viemos com um “defeito” de fábrica e gostamos de coisas do tipo: amores impossíveis, o carinha da esquina que só lhe procura quanto nenhuma de suas “amigas” está disponível, ou a eterna e velha conselheira que arrasta pelo chão onde ele pisa e nem assim ele a percebe. Deve ser os óculos: os óculos que você trás no rosto o impede de ver a devoção em seu olhar. Nada como uma boa lente para ajudar da próxima vez né amiga . Acho que assim ele vê o que seus olhos teimam em dizer. Aff
Seria engraçado isso se não fosse o fato de que grande parte dos que estão a ler já se viram em situações como essa o que significa que estamos a viver um problema: o problema do amor-próprio.
Pára de ir atrás de quem lhe tem como opção. O mundo pode ser consumista, mas você não precisa se tornar um ser de uso e consumo. Você é gente e muito gente!
Você é linda, inteligente, boa de conversa, divertida, alto-astral, mas encontra-se como um avestruz escondendo-se debaixo de um monturo feito de carência e expectativas. Acorda Alice! Solta essa cabeleira e deixa o vento lhe guiar!
A vida é uma, una, única! Pára de se lamentar pelo leite que derramou a muito tempo e que não tem mais como retornar para a caneca. O café esfriou? Tudo bem, nem só de café vive o homem um chá também desce bem.
Abra a janela desse sótão que você teima em viver. Veja a vida além da vidraça embaçada e suja. Saia pela vida e com a vida. Permita-ser e viver. Liberte-se. Seja. Viva.

Patrícia Prado

domingo, dezembro 23, 2012

A partida




À porta algumas bagagens já se encontram preparadas para a partida.
O olhar turvo vê a frente o que parece ser um caminho. Mas nada definido.
Apenas algumas ideias que com o tempo tornam-se certeza de que é preciso partir.
Entre as bagagens algumas fotos amarelas pelo tempo dizem que o instante é efêmero e o que passou, passou: as fotos devem ser guardadas. O culto ao passado deve cessar.
E assim, vou partindo em uma despedida lenta e que acontece entre pausas de alegrias e nostalgia. Eu estou partindo, mas será que alguém perceberá? Você perceberá?
Será que alguém notou que as roupas foram recolhidas do varal? Que o mato que cresce entre as roseiras é um sinal de que o jardineiro fora dispensado e por isso as gramas que antes ornavam o pequeno e singelo jardim já se vão também pelo abandono? Será que ninguém viu a vidraça há dias quebrada?
O abandono; ele é um dos sinais da partida. E eu abandono aos poucos; abandono sabendo que uma vez que a porta se fechar não haverá retorno. E assim, aos poucos vou partindo, vou indo, seguindo, sem que você perceba meu adeus. 

Patrícia Prado

terça-feira, dezembro 04, 2012

No Budismo o ensino do desapego é um dos mais importantes. O desapego não é indiferença ou fuga mas uma nova forma de olhar a vida e relacionar-se com ela. Em nossa caminhada temos a tendênciaa juntar tudo que não nos é útil como palavras, medos, pensamentos. A levar consigo pessoas, situações e desejos que somados geram uma carga tão pesada que nos impede de realizar a grande ventura pela qual nos é permitida esta existência: tornar-se ser. É chegado o momento de deixar os fardos, de libertar-se dos medos e desasossegos. É chegada a hora dos desapegos desnecessários a vida.
 Patrícia Prado

"A solidão,
essa tempestade,
esse gozo às avessas,
esse jeito de eternidade
que as coisas adquirem
mesmo sendo apenas vidro.

Essas cartas ardendo
no estômago das gavetas,
essas plumas
que surgem quando se apagam
as últimas luzes do dia.
Tudo faz a noite mais longa,
visão de uma sombra
sobre um berço.
Não há resposta
e o labirinto é o falso,
os lábios são falsos,
somente abismo,
absinto verdadeiro.
O sono,
grande placa de cerâmica,
e o tempo,
demônio a ranger sobre o infinito."

Darkness - Micheliny Verunschk
"Se você não disser que me ama como saberei?"
Hoje acordei pensando em Rodin e Claudel. Hoje acordei pensando em algumas histórias vividas, alguns contos lidos, algumas falas ouvidas e tenho chegado a conclusão que muitos amores foram impedi

dos de nascer, de viver, pela ausência de uma simples declaração, de uma rendição: eu amo você. Se você não disser que me ama como saberei? Se você não verbalizar como o outro saberá? Interessante é que o que mais desejamos é amar e ser amado e só. Dúvidas? Faça um simples questionário e distribua a seus amigos depois me diga o resultado ;)
Mas nos não fomos educados para o amor...Temerosos construímos as mais altas torres e é de lá, que queremos que o outro ouça nosso sussurro a dizer: eu amo você. Não, ele não ouvirá. Se você não gritar de sua torre ele não ouvirá. Se você não tirar as armaduras e correr a seu encontro ele passará porque ao contrário do que muitos dizem o amor se vai e se vai porque se modifica não porque termina, afinal o que temos e o que somos é amor - pena que ainda não aprendemos a relacionar com ele.
Meu conselho para o dia: se você ama alguém diga-o. Deixe-o saber. O "não" você já tem, quando deixa de verbalizar ele já esta presente, mas o "sim" pode ser uma grande surpresa, a melhor surpresa de sua vida...

Patrícia Prado

quinta-feira, novembro 29, 2012

Provocações



E você chega novamente.
Com as vestes da tormenta chega e tira tudo do lugar.
Tudo revirado novamente.
Suor, calor, torpor
As sensações também se misturam e o conhecido volta a ser desconhecido
Em pulsões que escorregam pela pele sempre a espera...
E você chega novamente.
Trazendo na bagagem imagens de uma cidade habitada pelo desejo e pelo não.
Imagens tristes e alegres que se mesclam em variados tons e sons.
E você chega novamente. E chegando vai deixando a marca da saudade enfeitada de apelos,
de desejos, de sussurros, de delírios, delírios de quem sabe que você chega para não ficar....

Patrícia Prado