quinta-feira, maio 03, 2007

Amnésia


O que aconteceu? Quem esteve aqui nesta noite?
Quem fez isso?
Quem tirou do lugar essas coisas, essa rotina, essa vida?

Tudo em desordem. O caos. E eu não sei como voltar ao normal.
A estaca zero. O ponto de mutação. O (des)equilíbrio.

Patrícia Prado

quarta-feira, maio 02, 2007

Salto no escuro

Em um beco sem saída me encontro.
A noite é escura. O frio gela minh'alma.
Nem um som é ouvido nessa noite sem lua.
Nem uma voz, nem um sussurro, nenhuma direção.
Corro.

Um grito ecoa no silêncio. É a dor do não saber, do não viver.
Mas eu corro, eu corro...
Para onde esse caminho me levará? Onde terminará essa estrada que parece não ter fim?

Labirintos se abrem a minha frente
E como Teseu desenrolo a linha que pode me levar de novo a saída
Onde chegarei? Só o tempo dirá...
Mas eu corro, eu corro, eu corro...
E salto: no escuro.

Patrícia Prado

Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam

Te vejo errando e isso não é pecado
Exceto quando faz outra pessoa sangrar
Te vejo sonhando e isso dá medo
Perdido num mundo que não dá pra entrar

Você está saindo da minha vida
E parece que vai demorar
Se não souber voltar ao menos mande notícia

Cê acha que eu sou louca
Mas tudo vai se encaixar
Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia

E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu

Você tá sempre indo e vindo, tudo bem
Dessa vez eu já vesti minha armadura
E mesmo que nada funcione
Eu estarei de pé, de queixo erguido

Depois você me vê vermelha e acha graça
Mas eu não ficaria bem na sua estante
Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia

Só por hoje não quero mais te ver
Só por hoje não vou tomar minha dose de você
Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam
E essa abstinência uma hora vai passar...

Pitty - Na sua estante

terça-feira, maio 01, 2007

Simplesmente...


Te dua ou se preferir...
Sarang Heyo e se ainda não entendeu tentarei ser mais clara...
Afgreki!
E se mesmo assim não compreenderes minha fala silenciosa,
Não conseguires ler o meu olhar, se atente para as palavras
que o vento lhe traz nesse tempo e ouça:
Volim Te...
Jeg Elsker Dig...
Ljubim te...
Je t'aime...
Eu amo você ... Eu Amo você.
Isso. Simplesmente isso.
Patrícia Prado

terça-feira, abril 24, 2007

Sobre o amor...

O amor é o objetivo último de quase toda a preocupação
humana,é por isso que ele influência nos assuntos mais relevantes,
interrompe as tarefas mais sérias e por vezes desorienta
as cabeças mais geniais.
Schopenhauer

Reinvenção da vida

Já não há passado.
Esse ficou trancado no porão das reminiscências.

Já não há futuro.
Esse é possibilidade.

E o presente?
Uma aventura que desperta a cada novo amanhecer.

Patrícia Prado

Mutação


Já não sou mais o mesmo.
O que era ontem já não é,
E o amanhã não tenho certeza.
Não me preocupo:
Sou folha, sou brisa, sou ventania.

Os conceitos se perderam, novas visões.
Não tenho razões nem ilusões.
Sou mar. Sou selva. Sou águia que vai...

Livre de pré-conceitos que escravizam a alma
Que fere, que mata os sonhos.
A máscara da hipócrisia caiu
E no lugar a face marcada
Pelas escolhas que a vida fez.
Já não sou mais o mesmo...
Definitivamente não sou.
Patrícia Prado

Cega-me, para que eu possa ver-te


Uma imagem pode dizer muito?
Por causa da imagem pode-se condenar ou absolver alguém.
Mas o que é uma imagem, se não um conceito ilusório formado à partir de pressupostos culturais?
A imagem do outro reflete escolhas, gostos, marcas...
Mas não pode refletir a essência, pois essa está além da imagem
a essência é a matéria da qual se faz o ser, o outro.
E como é difícil descobrir os elementos que compõe essa matéria!
Qual dolorosa é o modo a que faz!
Ver o outro além da imagem externa, estética requer uma ação macabra, dolorosa:
é preciso arrancar os olhos. Só quando estivermos cegos poderemos ver a essência,
pois essa só pode ser vista com os olhos do coração.


Patrícia Prado

quarta-feira, abril 18, 2007

Nota


A marcha fúnebre é ouvida.
A cada instante a consciência da morte é mais forte.
E a passos largos caminho em direção a vida,
Livre... Leve... Serena...
Eis o fim de tudo.
Patrícia Prado

quarta-feira, abril 11, 2007

Amor e Perda


O risco do amor é a separação.

Mergulhar na relação amorosa supõe a possibilidade da perda.

(...) a separação é a vivência da MORTE do outro em minha consciência

e a vivência de minha MORTE na consciência do outro.


Filosofando p.321

A Espera da Esperança


O tempo. Eis o tempo.
Cronologicamente, cada instante, cada minuto, cada segundo...
Eu vejo o tempo.
E com ele se vai a esperança.
Mas o coração teima insistir, em esperar a esperança.
Um misto de razão e emoção
Levam a construção de um pensamento confuso
Marcado pelas batidas impiedosas do tempo.

E a vida descobre que é na fantasia
Que vive a esperança que faz esperar pelo tempo.
Patrícia Prado

domingo, abril 08, 2007

SER e ESTAR

Evitar o perigo não é mais seguro do que viver exposto a ele. A vida é uma AVENTURA ou, então não é NADA. Hellen Keller.
Se é assim eu escolho a ventura de viver todas as possibilidades da vida. Livre para escolher, livre para pensar, livre para SER. E um dia, quando for apenas pó sei que continuarei eternizada nas histórias que fui mais que uma simples coadjuvante, fui também a escritora, a atriz principal pois eu vivi, eu me permiti. Eis a razão de exisitir. O resto é apenas uma doce ilusão que se vai como bolhas de sabão.

Patrícia Prado

sábado, fevereiro 24, 2007

Epitáfio

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
Até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier

Composição de Sérgio Britto interpretada por Titãs

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

O Eterno Retorno


Os olhares se cruzam.
Um instante.
O tempo suficiente para trazer a existência
o que se julgava perdido.

Em erupção entra o coração.
E um misto de desejo e dor aflora.
O corpo. Sente.
O eterno retorno do que não se passou.
Do que não se perdeu.

Patrícia Prado

terça-feira, janeiro 30, 2007

Ephémeros


A cada minuto o fim de um instante.
A cada instante, a oportunidade de um recomeço.

Patrícia Prado

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Religare


E o verbo se fez carne...
Nada será como antes. Nada.
Eis que tudo se fez novo. Posso ver.

A palavra. A ação concreta.
Morte.Vida.
Trevas. Luz.

Ligado ao Eterno, novamente.
O caminho. A cruz.
Metamorfose.

Patrícia Prado

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Um pouco de Quintana

- Boa tarde... - Boa tarde! - E a doce amiga
E eu, de novo, lado a lado, vamos!
Mas há um não sei quê, que nos intriga:
Parece que um ao outro procuramos...
E, por piedade ou gratidão, tentamos
Representar de novo a história antiga.

Mas vem-me a idéia... nem sei como a diga...
Que fomos outros que nos encontramos!
Não há remédio: é separar-nos, pois.
E as nossas mãos amigas se estenderam:
- Até breve! - Ate breve! - E, com espanto
Ficamos a pensar nos outros dois.
Aqueles dois que há tanto já morreram...
E que, um dia, se quiseram tanto!

Mário Quintana - Soneto Póstumo

Canção do Amor Imprevisto

Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoísta e mau.
E minha poesia é um vicio triste,
Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.

Mas tu apareceste com tua boca fresca de madrugada,
Com teu passo leve,
Com esses teus cabelos...

E o homem taciturno ficou imóvel,
sem compreender nada, numa alegria atônita...
A súbita alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos!

Mário Quintana

quinta-feira, novembro 23, 2006

O amor


O amor, quando se revela, Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela, Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

Fernando Pessoa

quinta-feira, novembro 16, 2006


Se te pareço ausente, não creias:
hora a hora minha dor agarra-se aos teus braços,
hora a hora meu desejo revolve teus escombros,
e escorrem dos meus olhos mais promessas.

Não acredites nesse breve sono;
não dês valor maior ao meu silêncio;
e se leres recados numa folha branca,
Não creias também:
é preciso encostar teus lábios nos meus lábios para ouvir.

Nem acredites se pensas que te falo:
palavras são meu jeito mais secreto de calar

Lya Luft