segunda-feira, janeiro 23, 2006

Abdução

sábado, janeiro 21, 2006

Sobre o amor


O que é o amor? Um sentimento? Uma atração? Uma ação? Ou a junção desses elementos que me leva sempre de encontro ao outro a fim de manifestar-se?
Imortalizado nos poemas, exposto em canções, o amor tem sido um dos temas mais discutidos e menos entendido.
Alguns pensam que o amor é um sentimento, um nobre sentimento para com o outro e nesse pensar perdem-se ao se pedir mais que se dar. Amor é antes de tudo dádiva.
Se quisermos compreender um pouco do sentido do amor precisamos nos remeter a 2000 a.C. No monte do Gólgota a maior expressão do amor foi nos deixada. O Cristo Crucificado revelava-nos o sentido da dádiva: amor é ser dar sem esperar algo em troca.
Patrícia Prado

Muitos não entendem. Como dar sem receber? Como amar alguém sem tê-lo? Como não possuir e ainda assim ser feliz?
O capitalismo se reflete nas relações. Possuir é o lema; se não tenho não sou feliz. Se não possuo o outro, se não tenho meu objeto de desejo não tenho o amor. O amor é pássaro solitário, não suporta o confinamento.
Se os homens desejam “ter” o amor é preciso aprender suas regras e a primeira delas é deixá-lo ser e para que isso aconteça precisamos nos conhecer e nos aceitar como somos caso contrário estaremos sempre buscando no outro aquilo que julgamos nos faltar. Isso não é amor é transferência de responsabilidade e cada um deve ser responsável por si mesmo.
É preciso voltar-se para si mesmo e descobrir-se como pessoa antes de buscar pelo amor no outro. Jesus disse que devemos amar o próximo como a nos mesmos. Como posso então dizer que amo o outro se nem mesmo amo a mim mesmo? Como posso dizer que aceito o outro como ele é se não me aceito? Como posso desejar viver uma relação saudável se me encontro doente?
Muitos dos problemas de relacionamento poderiam ser resolvidos se os que estão a vivê-los entendessem que amor é antes de tudo uma dádiva e não uma conquista.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Arco-íris sem cor


O amor tem cor? Que cor tem o amor?
Para os apaixonados, ele tem a cor do pecado
Para os poetas ele tem cor da dor
E para você, que cor tem o amor?


O amor não tem cor
Ele é preto, branco, amarelo...
É arco-íris depois de chuva
E quer coisa mais bonita
Que olhar o arco íris entre os pingos da chuva?

O amor é assim, simples, belo, inocente
É brisa suave em tardes ensolaradas
É manhã manhosa de inverno
É sonho de verão.

Patrícia Prado

Teço...

Escrever algo que valha a pena, mas o que vale a pena nessa vida?
Sobre o que devo falar agora? Sobre a vida, sobre o amor, sobre a dor?
Tudo vale a pena, já dizia Pessoa então, qualquer coisa que venha a dizer valerá a pena se houver vida em meus escritos, se minha alma de todo não for pequena.
É preciso estar vivo para escrever. Para ler não é diferente.
As linhas vão se cruzando e no emaranhado de pensamentos surge o texto. Às vezes sem contexto, ele passa a existir na medida em que o leitor dá vida a ele. É preciso estar vivo para se ler um texto. É preciso estar vivo para entendê-lo. Você precisa estar vivo para compreender-me.
E o que significa mesmo estar vivo? Você já se questionou sobre isso? Você tem certeza de sua existência?
Corpo, alma... espírito. Substância, matéria, vida... se unem em uma dança sincrônica fazendo com que a vida seja expressa através de mim, de você, de nós seres dotados de sentimentos, de vontades, de desejos, de liberdade....
Estamos vivos. Podemos nos ver. Podemos compreender. Podemos ler e decifrar os códigos escritos nas almas que buscam compreender-se. Todos querem compreender, todos querem ler e se ler mas acabamos lendo o outro e nessa leitura perdemos o principal: a nossa leitura de Ser.
Teço nesse momento um texto. Confuso? Talvez. Sem nexo? Não sei. Só você poderá dizer se existir vida o suficiente para ler, entender, compreender...
Patrícia Prado

quarta-feira, dezembro 14, 2005

As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Carlos Drummond de Andrade

O que eu queria dizer...

Escrever é arte.
Arte que teima existir
Quando o momento não existe.

O que quero dizer nesse momento?
Não sei. Eu sei.
Mas, a prudência teima não deixar
E as palavras voltam ao lugar
Onde não deveriam estar.

Então o silêncio inunda novamente.
E a vontade esconde-se em conchas
Sobre os mar da insensatez
Sobre os ventos da lucidez

O que queria dizer mesmo?
Não sei. Eu sei
Mas não posso dizer...

Patrícia Prado

Poesia

Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, dezembro 04, 2005

Inscrição na Areia


O meu amor não tem
importância nenhuma.
Não tem o peso
nem de uma rosa de espuma!

Desfolha-se por quem?
Para quem se perfuma?
O meu amor não tem
importância nenhuma.

Cecília Meireles

Motivo

Eu canto porque o instante existe a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,- não sei, não sei.
Não sei se fico ou passo.Sei que canto.
E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:- mais nada.

Cecília Meireles

terça-feira, novembro 29, 2005

Decifra-me

Decifre os códigos
Decifre os símbolos
Decifre as rimas sem nexo

E encontrarás
O segredo à muito escondido
Ou então...

Devorarei sua insensatez
Sua estupidez
Sua ignorância

Em letras carmesim
Que trazem o estigma
Da cor da dor

Decifra-me ou o Devorarei
Em cada rima construída
A cada novo anoitecer

Decifra-me.

Patrícia Prado

O que eu queria...

Queria compor uma canção que falasse de amor
Mas, não há como compor
Não há amor

Queria escrever um poema que falasse de alegria
Mas, não há o que dizer
Sobre essa magia

Na verdade o que eu queria mesmo
Era estar agora frente ao mar
Olhando as estrelas, só as estrelas.

Patrícia Prado

segunda-feira, novembro 28, 2005

Qual tem sido o seu tempo?


Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.
Eclesiastes 3

domingo, novembro 27, 2005

Amizade

Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um do outro há de se lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.

Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente
Cada vez de forma diferente,
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.

Há duas formas para viver sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.

Albert Einsten (1879 – 1955)

A batalha das Palavras


Como notas de uma canção elas surgem
Palavras.
Palavras soltas ao vento,
Palavras presas ao tempo.

Moldadas como que pelas mãos de um ferreiro
Surge a arma que fere, que mata, que traz vida
Palavras.
Palavras soltas ao vento,
Palavras presas à alma.

Fantasia, ilusões, desilusões...
Sonhos de mil e uma noites
Fadas, fantasmas, deuses...
O mundo das Palavras,
O mundo das Idéias,
O mundo das Ilusões.

E com a mente cheia de Palavras
Como alquimistas trabalhamos com esse elemento
A fim de encontrar
O mundo das Palavras,
O mundo das Idéias,
O mundo das Ilusões,

Feitos de Palavras,
Feitos de Sonhos,
Feitos de Ilusões,
As Palavras.
Patrícia Prado

domingo, novembro 20, 2005

Meu silêncio


No meu silêncio há gritos,
Há gemidos,
Há sons.
Sons audiveís
Que no descompasso da vida
Cria uma canção
Triste, fúnebre.

No meu grito há silêncio.
Silêncio que esconde a verdade,
Silêncio que revela a mentira,
Silêncio que não diz o que deve ser dito.

Meu silêncio é broquel
Com o qual protejo-me
De meu algoz
Que tenta quebrar, que tenta romper
O meu silêncio.

Patrícia Prado

Estrelas

Em meio as brumas
Vejo ainda o céu
E a pintá-lo
Estrelas.
Patrícia Prado

Carpe Diem

Respeitável público!
O grande dia chegou!
E com ele toda mágia que a vida pode trazer.
Afinal, resta-nos, como certeiro, apenas este minuto
Que é tão infinito quanto a gota de orvalho
Que cae sobre a relva seca,
E tão finito quanto a esperança
De viver, de amar, de sonhar.

Então, que as cortinas se abram,
Que os aplausos se rompam e que
A festividade da vida entre e faça a festa!
Que o riso seja ouvido pelos quatro cantos,
E que a vontade de Ser não seja impedida
Pela prudência nem seja aprisionada pela
Ignorância de não Ser.

Hoje é o dia. O dia de se alegrar, o dia de cantar...
E cantar um canto que faça desabrochar flores,
Ressucitar amores, reacender a luz da vida...

Esta é a hora de enxugar o pranto,
Reviver o canto,
Ser feliz.

Afinal, resta-nos apenas esse minuto
Para trazer a existência a eternidade
A eternidade de Ser.

Patrícia Prado

Quadrado


Fechado em um quarto, escrevo.
Fechado em um mundo, relembro...

Os dias de sonhos sonhados,
Os dias de rosas roubadas,
Os dias de infantis recordações...

Aberto em um estado, encontro-me.
Aberto em feridas, sinto...

Os dias que me foram roubados,
Os sonhos que me foram tirados,
As rosas impedidas de abrir...

Fechado sinto-me,
Aberto recordo-me,
Sozinho fico.

Patrícia Prado

Ecos

Ouça, o nada.
Ouça, o tudo.

Você tem ouvidos para ouvir?
Você pode ouvir?

Ouça, então
O tudo.
Ouça, então
O nada.
Ouça, a minha solidão.

Ouça.

Patrícia Prado

sábado, novembro 19, 2005

Põe-me as mãos nos ombros

Põe-me as mãos nos ombros...
Beija-me na fronte...
Minha vida é escombros,
A minha alma insonte

Eu não sei por quê,
Meu desde onde venho,
Sou o ser que vê,
E vê tudo estranho.

Põe a tua mão
Sobre o meu cabelo...
Tudo é ilusão
Sonhar é sabê-lo.

Fernando Pessoa