segunda-feira, dezembro 31, 2007

Enfim... O fim

31 de dezembro de 2007.

Mais um ano se finda. As batidas aceleradas do relógio parecem gladiar com a indolência de um coração que precisa planejar, se encontrar.
As pessoas correm de um lado para o outro se apressando para a chegada de mais um ano. As roupas coloridas de negro darão lugar nessa noite ao branco da paz, da esperança, e quem sabe do amor (alguns acham que a cor do amor é vermelho mas eu acredito que seja o branco, é preciso paz para se viver o amor...)
Como se espera a chegada de uma criança, assim os homens se preparam para um novo ano. Tempo de renovação, de novos planos, de fé. Quando os ponteiros se encontrarem hoje será o ressoar de um novo tempo. Ah se tudo fosse tão fácil e simples assim! Se fosse possível lançar sobre o mar todas as lágrimas que foram derramadas, todos os amores mal resolvidos, todas as discordias... Se fosse possível apenas trocar a maquiagem para que tudo ficasse lindo novamente! Trocar mudar as roupas e mudar o tudo! Bem, sabemos que a vida é muita mais complicada e que o pó de piripimpim só existe nas histórias de Monteiro Lobato.
Talvez nem todos encontraram um coelho que lhe direcionasse o caminho nesse ano como Alice, mas certamente descobrimos que quando não se sabe para onde ir qualquer caminho serve, é triste mas é fato.
As vezes é preciso decidir : a pílula azul ou a vermelha? joguemos os búzios quando a dúvida chegar ou se preferir o Urim e o Tumim, para alguns ainda é válido. Mas lembre-se: se o ditado é certo, se tiveres sorte nas jogadas, certamente não terás sorte no amor. Então, o que escolherás? Deixemos de racionalidade matemática e voltemos a idéia do Segredo.
Como o tempo é de renovação entremos nessa esperança de que amanhã será melhor porque se existe uma coisa que brasileiro tem de sobra é E S P E R A N Ç A.
Esperemos então, dias melhores, amores maiores, paz, e porque não fortuna!
2007 já está findando a ele dediquemos nossos agradecimentos e votos de paz.
FELIZ 2008 Pra mim, FELIZ 2008 pra nós todos!

Deus nos abençõe com paz...
Patrícia Prado

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Alguma coisa em comum

Não adianta esperar atitude de quem não tem
Não é ele quem vai estar lá quando você precisar
Não adianta esperar pelo trem que já passou
Um dia eu páro você, vou te fazer enxergar

Abrir seus olhos e fazer você enxergar quem eu sou
Abrir seus olhos pra você gostar de mim como eu sou

Acorda pra ver que eu só te quero bem
Deixa a chuva te avisar que o sol vai brilhar pra você
Eu pude contemplar sua beleza enquanto você sorria
Eu que não sabia que o amor era simples e pleno

Abrir seus olhos e fazer você enxergar quem eu sou
Abrir seus olhos pra você gostar de mim como eu sou

Fico feliz de estar vivendo e aprendendo
Então deixa a chuva te avisar que o sol vai brilhar pra você



Abrir seus olhos - Charlie Brown Júnior

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Timidez


Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...

- mas só esse eu não farei.

Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...

- palavra que não direi.

Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,

- que amargamente inventei.

E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...

e um dia me acabarei.

Cecília Meireles

Por não estarem distraídos


Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
Clarice Lispector

See Who I Am


É verdade o que dizem?
Estamos muito cegos para encontrar um caminho?
Medo do desconhecido
Perturbando nossos corações hoje
Venha para o meu mundo
Veja além dos meus olhos
Tente entender
Não quero perder o que temos
Estivemos sonhando
Por quem não pode negar
É a melhor forma de se viver
Entre a verdade e as mentiras

Veja quem eu sou
Atravesse a superfície
Aproxime sua mão da minha
E grite bem alto que nós conseguimos
Liberte sua mente e encontre um caminho
O mundo está em nossas mãos
Isso não é o fim

O medo está enfraquecendo a alma
Em um ponto sem volta
Precisamos ser a mudança que queremos ver
Irei em seu mundo
Verei além de seus olhos
Tentarei entender
Antes de perdermos o que temos
Não podemos simplesmente parar de acreditar
Porque nós temos que tentar
Podemos nos elevar além da verdade e das mentira

Ouça o silêncio
Estenda sua mão para a minha culpa
Nossa força permanecerá?
Se o poder elevar-se
Isso não é o fim

Within Temptation

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Amor é síntese

Por favor, não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu...

Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.

Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor.

Mário Quintana

segunda-feira, novembro 12, 2007

Rascunhos

Recomeçar. A vida chama a essa ação.
Não há nada mais a fazer do que recomeçar.
As velhas roupas amareladas no armário
O cheiro de mofo...
A vida passada a limpo.

Uma nova história a ser escrita, um novo enredo.
Nada como outrora, nada.
Novos personagens, novo cenário, nova platéia.

A incerteza do talvez dá lugar a expectativa de dias melhores
Melhores do que o até então vivido
Mais alegres, mais floridos.
Uma nova chance para ser feliz.

Patrícia Prado

Tocando em frente


Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Ou nada sei

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou

Todo mundo ama um dia todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz...

Almir Sater

sexta-feira, outubro 12, 2007


Vejo pombos no asfalto
eles sabem voar alto
mas insistem em catar as migalhas do chão...
Somente o que corre riscos é livre.


Zeca Baleiro e Sêneca

De forma dolorosa tenho aprendido que esperar nem sempre vale a pena. Eu esperei e o que recebi pela espera?

A vida é tão fugaz e criamos tantas grades de proteção que na verdade não nos protege de nada mas impede-nos de viver a vida.

Magoar e ser magoado é inevitável quando se está a viver. Somente os mortos não sofrem as afrontas, somente os que adormecem não vêem, não sentem o desprezo. E se a vida é assim, porque esperamos? Pelo que esperamos se o convite que ela nos faz é para sairmos de nossa caverna e ir de encontro a luz?

É assim que eu me sinto...

Quando eu me perco é quando eu te encontro
Quando eu me solto seus olhos me vêem
Quando eu me iludo é quando eu te esqueço
Quando eu te tenho eu me sinto tão bem

Você me fez sentir de novo o que eu
Já não me importava mais
Você me faz tão bem
Você me faz, você me faz tão bem

Quando eu te invado de silêncio
Você conforta a minha dor com atenção
E quando eu durmo no seu colo
Você me faz sentir de novo
O que eu já não sentia mais

Você me faz tão bem
Você me faz, você me faz tão bem
Você me faz, você me faz tão bem
Você me faz, você me faz tão bem

Não tenha medo
Não tenha medo desse amor
Não faz sentido
Não faz sentido não mudarEsse amor

Você me faz, você me faz tão bem
Você me faz, você me faz tão bem
Você me faz, você me faz tão bem
Você me faz, você me faz tão bem

De Tico Sta Cruz interpretada por Detonautas Você me faz tão bem

quarta-feira, outubro 10, 2007

Revelar...REVELE-SE



Para onde estamos indo?
Entramos. O jogo começou.
As cartas postas na mesa. O lance.

Olho em seus olhos e eles revelam a escuridão.
De quem se esconde? De mim?
Oh não! Não faça isso, temos pouco tempo...

O tempo. Ouça o tempo. Ele silencia nossa voz.
Sinta o tempo. Feche os olhos. Segure minhas mãos
E eu o levarei a terras distantes onde tudo é possível
Onde o amor é possível
Apenas deixe-se. Deixe-se.

Patrícia Prado

quinta-feira, setembro 13, 2007

Visto-me de Saudade

Visto-me de saudade
Para receber a solidão.
Com ela vem a dor
Do não vivido.
Conversamos.

Sentados
De frente ao mar da ilusão
Tecemos considerações
Mas nenhuma delas traz de volta
A possibilidade do que se foi.

Visto-me de saudade
Recebo a solidão...

Patrícia Prado

quarta-feira, setembro 12, 2007

Conselhos que deve-se levar pela vida

"Não importa onde você parou...em que momento da vida você cansou...o que importa é que sempre é possível enecessário recomeçar".Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo...é renovar as esperanças na vida e o mais importante...acreditar em você de novo.Sofreu muito nesse período?foi aprendizado...Chorou muito?foi limpeza da alma...Ficou com raiva das pessoas?foi para perdoá-las um dia...Sentiu-se só por diversas vezes?é por que fechaste a porta até para os anjos...Acreditou que tudo estava perdido?era o início da tua melhora...Pois agora é hora de iniciar...de pensar na luz...de encontrar prazer nas coisas simples de novo.Que tal :Um corte de cabelo arrojado...diferente?Um novo curso...ou aquele velho desejode aprender a pintar...desenhar...dominar o computador...ou qualquer outra coisa...Olha quanto desafio...quanta coisa novanesse mundão de meu Deus te esperando.Tá se sentindo sozinho?besteira...tem tanta gente que você afastoucom o seu "período de isolamento"...tem tanta gente esperando apenas um sorrisoteu para "chegar" perto de você.Quando nos trancamos na tristeza...nem nós mesmos nos suportamos...ficamos horríveis...o mal humor vai comendo nosso fígado...até a boca fica amarga.Recomeçar...hoje é um bom dia paracomeçar novos desafios.Onde você quer chegar? ir alto...sonhe alto... queira o melhordo melhor...queira coisas boas para a vida...pensando assimtrazemos pránós aquilo que desejamos...se pensamos pequeno...coisas pequenasteremos...já se desejarmos fortemente o melhore principalmente lutarmospelo melhor...o melhor vai se instalar na nossa vida.E é hoje o dia da faxina mental...joga fora tudo que te prende ao passado...ao mundinho de coisas tristes...fotos...peças de roupa,papel de bala...ingressos de cinemabilhetes de viagens... e toda aquelatranqueira que guardamos quando nosjulgamos apaixonados...jogue tudo fora... mas principalmente...esvazie seu coração...fique pronto para a vida...para um novo amor...Lembre-se somos apaixonáveis...somos sempre capazes de amarmuitas e muitas vezes... afinal de contas...Nós somos o "Amor"...Porque sou do tamanho daquilo que vejo,e não do tamanho da minha altura."
Carlos Drummond Andrade e Paulo Roberto Gaefke

Acordar, viver

Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.

Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?

Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpurademente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algozdo inocente que não sou?

Ninguém responde, a vida é pétrea.

Carlos Drummond de Andrade

A um ausente

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescênciade
viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu,
enlouquecendo nossas horas

.Que poderias ter feito de mais grave do que o ato sem continuação, o ato em si
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.

Carlos Drummond de Andrade

sábado, setembro 01, 2007

Nos últimos dias...

Ando tão à flor da pele que qualquer beijo de novela me faz chorar
Ando tão à flor da pele que teu olhar pela janela me faz morrer
Ando tão à flor da pele que meu desejo se confunde com a vontade de não ser
Ando tão à flor da pele que a minha pele tem o fogo do juízo final

Um barco sem porto sem rumo, sem vela
Cavalo sem sela
Um bicho solto
Um cão sem dono
Um menino bandido

Às vezes me preservo outras suicido
Às vezes me preservo noutras suicido

oh sim, eu estou tão cansado
Mas não prá dizer
Que eu não acredito mais em você

Eu não preciso de muito dinheiro graças a Deus
Mas vou tomar aquele velho navio
Aquele velho navio
Aquele velho navio...

Um barco sem rumo, sem porto, sem vela
Cavalo sem sela um bicho solto,
Um cão sem dono,
Um menino bandido
As vezes me preservo noutras suícido

Flor da Pele - Zeca Baleiro

segunda-feira, agosto 27, 2007

O que restou de mim

Segunda-feira, 27 de agosto de 2007. Uma data a mais no calendário que teimosamente eu risco religiosamente todos os dias. Conto os dias mas de uma maneira diferente: não espero nada ao fim deles, conto-os por contar.
O tempo que se foi é apenas um marco, não quero que seja uma marca, não posso permitir. Vazio... Vazio... Vazio...
Converso com amigos. Eles sofrem. Sofrem por amor, sofrem pelo não amor, sofrem... Sua dor se junta a centenas, milhares por que não dizer bilhões de pessoas nesse imenso território chamado planeta Terra que sofre pelo sentimento mais banalizado: o amor. Lennon, já nos havia alertado que tudo que o mundo precisava era de amor; e eu e você, não precisamos também disso?
Olho para os seres. Corpos ocos, mentes vazias, zumbis... e eu a fazer parte dessa grande massa de homens e mulheres que não tem mais tempo para ouvir, para me ouvir... eu também não tenho tempo para ouvir, eu não quero ouvir...
Silêncio... dentro desse coração silêncio. Silêncio que é quebrado pela fúria da razão que teima em tirar-me do calabouço ao qual deixe-me ser levada. Quero mas não consigo, não sei sair...
A loucura veste-se de sanidade e aparenta a normalidade. Hipocrisia. Somos todos hipócritas. Ninguém vê? Ninguém percebe? Ninguém me percebe? Estou farta, estou cansada, estou faminta, estou morrendo. Eu morri. Para os sonhos, para o tempo.... e o que restou desta luta trágica? Nada, absolutamente nada. Nem pó, nem cinzas. Não restou nada...

quinta-feira, agosto 23, 2007

Universidade, lugar de todos?

Vem vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora não espera acontecer... Quem nunca ouviu esse refrão? Quem não cantarolou essa frase algum dia? Esse foi um dos hinos de uma geração que lutou bravamente contra a incoerência, contra a mentira de um país que sempre pregou a democracia. Hoje, esse mesmo hino eclode na mídia anunciando uma nova era onde a democracia se faz ver através da educação. Novamente essa será a canção de muitos. Mas os que irão cantar sabem o porque cantam? Dizem por aí que quem canta os males espanta, mas nesse caso será preciso mais que uma bela canção para espantar o mal que está por vir. Ao mencionar essa canção, faço menção do Pro-Uni. Uma proposta do governo para inserir a grande massa nas Universidades Privadas. Uma boa estratégia? Talvez, mas não sejamos de todos pessimistas. Tudo na vida é relativo e não seria diferente nessa questão. Existem os que defendem tal ação como forma de dar oportunidade aqueles que não foram afortunados pela vida e não tiveram uma base educacional que os ajudasse a concorrer com as “Patrícinhas” e “Mauricinhos” da vida. Assim, o governo dá uma mãozinha pró povão e o povão dá uma mãozinha pró governo e é claro para a nação pois a educação é a grande mola propulsora do progresso! Outros já são contrários e dizem que tal ação favorecerá apenas os empresários que estão cheios de cheques sem fundo e uma lista de nomes pronta para o SPC. Favorável ou contra a pergunta que fica hoje é: os que estão a entrar com o aval do governo sabem os que o esperam? Será que a Universidade é um lugar onde o saber se desenvolve sem discriminação, onde todos somos irmãos, mauricinhos, patrícinhas e tatis da vida andam juntos em busca do saber a fim de que nosso país tenha a ordem e o progresso que tanto almejaram os positivistas? Pois bem, que abram as portas das Universidades, que entre o povo, mas que todos saibam que a discriminação se apresenta na fala dos mestres e como um sino que soa faz com que suas badaladas ecoem sobre todos criando um exercito que empunha o preconceito como a arma de seu combate. Negros na Universidade? Deficientes? Escola pública? Cota? Que gente é essa que entra pelos portões da GRANDE ACADEMIA e divide os bancos com aqueles que (não sei porque) tem o direito a estarem aqui? Que gente é essa que “rouba” parte das vagas nas GRANDES INSTITUIÇÕES PÚBLICAS? Que gente é essa que não consegue pensar, mas está aqui entre nós, as GRANDES MENTES PENSANTES? Que gente é essa que sai dos guetos e traz um novo som que tenta se afinar com o dos GRANDES MESTRES POSITIVISTAS? Que gente é essa que quer ser gente, mas não consegue pensar como gente GRANDE e por isso faz com que nosso ensino caia? Esse tem sido o discurso de muita gente grande nas Universidades Públicas sobre os cotistas. E o que dirão dos Pró Uni da vida? Esse é apenas um pequeno ensaio de uma discussão que deve continuar. E enquanto nos preparamos, vamos caminhar e cantar pois a morte é certa e o futuro só a Deus pertence! Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Papalagui Honestino um integrante dessa gente.

Texto redigido por Patrícia Prado em dezembro 2005 como manifesto há discriminação sofrida pelos cotistas em uma Universidade Pública de Minas.

terça-feira, agosto 21, 2007

Um passeio pelo Mercado Central

Uma mistura de cores e cheiros recebe-nos. Vozes que se misturam a sons diversos. Pessoas se cruzam, outras se encontram. Essa é a imagem que se forma ao entrar no Mercado Central.
Criado em 07 de setembro de 1929 pelo então prefeito Cristiano Machado, o Mercado Central é um dos pontos turísticos de Belo Horizonte e traz ao visitante a sensação de estar em um cantinho qualquer do interior de Minas.
Apesar de suas miscelâneas de opções, desde animais até vinhos finos, o Mercado permite-nos esquecer o barulho dos carros, a fumaça da cidade, os arranha-céus que nos cerca e nos faz sentir o jeitinho mineiro simples de ser.
Um bom exemplo são os bares. Sem mesas ou cadeiras, os “bares” mais freqüentados são pequenos corredores onde pessoas se apertam a fim de encontrar um espaço junto ao “balcão”. Os atendentes “convidam” as pessoas aos gritos: “ai amigo, uma geladinha?” e assim mais um cliente é conquistado.
Além de flores, objetos, comidas entre outras coisas, o Mercado Central possui também uma capela construída em 1974 para abrigar uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, doação de uma comerciante de frutas que alcançou uma graça.
Esse lugar exótico onde o sagrado convive pacificamente com o “profano” aprendemos a enxergar o mundo com as lentes da simplicidade.
Visitar o Mercado Central é permitir-se encontrar com a história e a cultura de Minas. É vivenciar sensações que o mundo moderno muitas vezes nos rouba. Aprender a aprender. Aprender viver.

Patrícia Prado