quinta-feira, setembro 13, 2007

Visto-me de Saudade

Visto-me de saudade
Para receber a solidão.
Com ela vem a dor
Do não vivido.
Conversamos.

Sentados
De frente ao mar da ilusão
Tecemos considerações
Mas nenhuma delas traz de volta
A possibilidade do que se foi.

Visto-me de saudade
Recebo a solidão...

Patrícia Prado

quarta-feira, setembro 12, 2007

Conselhos que deve-se levar pela vida

"Não importa onde você parou...em que momento da vida você cansou...o que importa é que sempre é possível enecessário recomeçar".Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo...é renovar as esperanças na vida e o mais importante...acreditar em você de novo.Sofreu muito nesse período?foi aprendizado...Chorou muito?foi limpeza da alma...Ficou com raiva das pessoas?foi para perdoá-las um dia...Sentiu-se só por diversas vezes?é por que fechaste a porta até para os anjos...Acreditou que tudo estava perdido?era o início da tua melhora...Pois agora é hora de iniciar...de pensar na luz...de encontrar prazer nas coisas simples de novo.Que tal :Um corte de cabelo arrojado...diferente?Um novo curso...ou aquele velho desejode aprender a pintar...desenhar...dominar o computador...ou qualquer outra coisa...Olha quanto desafio...quanta coisa novanesse mundão de meu Deus te esperando.Tá se sentindo sozinho?besteira...tem tanta gente que você afastoucom o seu "período de isolamento"...tem tanta gente esperando apenas um sorrisoteu para "chegar" perto de você.Quando nos trancamos na tristeza...nem nós mesmos nos suportamos...ficamos horríveis...o mal humor vai comendo nosso fígado...até a boca fica amarga.Recomeçar...hoje é um bom dia paracomeçar novos desafios.Onde você quer chegar? ir alto...sonhe alto... queira o melhordo melhor...queira coisas boas para a vida...pensando assimtrazemos pránós aquilo que desejamos...se pensamos pequeno...coisas pequenasteremos...já se desejarmos fortemente o melhore principalmente lutarmospelo melhor...o melhor vai se instalar na nossa vida.E é hoje o dia da faxina mental...joga fora tudo que te prende ao passado...ao mundinho de coisas tristes...fotos...peças de roupa,papel de bala...ingressos de cinemabilhetes de viagens... e toda aquelatranqueira que guardamos quando nosjulgamos apaixonados...jogue tudo fora... mas principalmente...esvazie seu coração...fique pronto para a vida...para um novo amor...Lembre-se somos apaixonáveis...somos sempre capazes de amarmuitas e muitas vezes... afinal de contas...Nós somos o "Amor"...Porque sou do tamanho daquilo que vejo,e não do tamanho da minha altura."
Carlos Drummond Andrade e Paulo Roberto Gaefke

Acordar, viver

Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.

Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?

Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpurademente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algozdo inocente que não sou?

Ninguém responde, a vida é pétrea.

Carlos Drummond de Andrade

A um ausente

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescênciade
viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu,
enlouquecendo nossas horas

.Que poderias ter feito de mais grave do que o ato sem continuação, o ato em si
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.

Carlos Drummond de Andrade

sábado, setembro 01, 2007

Nos últimos dias...

Ando tão à flor da pele que qualquer beijo de novela me faz chorar
Ando tão à flor da pele que teu olhar pela janela me faz morrer
Ando tão à flor da pele que meu desejo se confunde com a vontade de não ser
Ando tão à flor da pele que a minha pele tem o fogo do juízo final

Um barco sem porto sem rumo, sem vela
Cavalo sem sela
Um bicho solto
Um cão sem dono
Um menino bandido

Às vezes me preservo outras suicido
Às vezes me preservo noutras suicido

oh sim, eu estou tão cansado
Mas não prá dizer
Que eu não acredito mais em você

Eu não preciso de muito dinheiro graças a Deus
Mas vou tomar aquele velho navio
Aquele velho navio
Aquele velho navio...

Um barco sem rumo, sem porto, sem vela
Cavalo sem sela um bicho solto,
Um cão sem dono,
Um menino bandido
As vezes me preservo noutras suícido

Flor da Pele - Zeca Baleiro

segunda-feira, agosto 27, 2007

O que restou de mim

Segunda-feira, 27 de agosto de 2007. Uma data a mais no calendário que teimosamente eu risco religiosamente todos os dias. Conto os dias mas de uma maneira diferente: não espero nada ao fim deles, conto-os por contar.
O tempo que se foi é apenas um marco, não quero que seja uma marca, não posso permitir. Vazio... Vazio... Vazio...
Converso com amigos. Eles sofrem. Sofrem por amor, sofrem pelo não amor, sofrem... Sua dor se junta a centenas, milhares por que não dizer bilhões de pessoas nesse imenso território chamado planeta Terra que sofre pelo sentimento mais banalizado: o amor. Lennon, já nos havia alertado que tudo que o mundo precisava era de amor; e eu e você, não precisamos também disso?
Olho para os seres. Corpos ocos, mentes vazias, zumbis... e eu a fazer parte dessa grande massa de homens e mulheres que não tem mais tempo para ouvir, para me ouvir... eu também não tenho tempo para ouvir, eu não quero ouvir...
Silêncio... dentro desse coração silêncio. Silêncio que é quebrado pela fúria da razão que teima em tirar-me do calabouço ao qual deixe-me ser levada. Quero mas não consigo, não sei sair...
A loucura veste-se de sanidade e aparenta a normalidade. Hipocrisia. Somos todos hipócritas. Ninguém vê? Ninguém percebe? Ninguém me percebe? Estou farta, estou cansada, estou faminta, estou morrendo. Eu morri. Para os sonhos, para o tempo.... e o que restou desta luta trágica? Nada, absolutamente nada. Nem pó, nem cinzas. Não restou nada...

quinta-feira, agosto 23, 2007

Universidade, lugar de todos?

Vem vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora não espera acontecer... Quem nunca ouviu esse refrão? Quem não cantarolou essa frase algum dia? Esse foi um dos hinos de uma geração que lutou bravamente contra a incoerência, contra a mentira de um país que sempre pregou a democracia. Hoje, esse mesmo hino eclode na mídia anunciando uma nova era onde a democracia se faz ver através da educação. Novamente essa será a canção de muitos. Mas os que irão cantar sabem o porque cantam? Dizem por aí que quem canta os males espanta, mas nesse caso será preciso mais que uma bela canção para espantar o mal que está por vir. Ao mencionar essa canção, faço menção do Pro-Uni. Uma proposta do governo para inserir a grande massa nas Universidades Privadas. Uma boa estratégia? Talvez, mas não sejamos de todos pessimistas. Tudo na vida é relativo e não seria diferente nessa questão. Existem os que defendem tal ação como forma de dar oportunidade aqueles que não foram afortunados pela vida e não tiveram uma base educacional que os ajudasse a concorrer com as “Patrícinhas” e “Mauricinhos” da vida. Assim, o governo dá uma mãozinha pró povão e o povão dá uma mãozinha pró governo e é claro para a nação pois a educação é a grande mola propulsora do progresso! Outros já são contrários e dizem que tal ação favorecerá apenas os empresários que estão cheios de cheques sem fundo e uma lista de nomes pronta para o SPC. Favorável ou contra a pergunta que fica hoje é: os que estão a entrar com o aval do governo sabem os que o esperam? Será que a Universidade é um lugar onde o saber se desenvolve sem discriminação, onde todos somos irmãos, mauricinhos, patrícinhas e tatis da vida andam juntos em busca do saber a fim de que nosso país tenha a ordem e o progresso que tanto almejaram os positivistas? Pois bem, que abram as portas das Universidades, que entre o povo, mas que todos saibam que a discriminação se apresenta na fala dos mestres e como um sino que soa faz com que suas badaladas ecoem sobre todos criando um exercito que empunha o preconceito como a arma de seu combate. Negros na Universidade? Deficientes? Escola pública? Cota? Que gente é essa que entra pelos portões da GRANDE ACADEMIA e divide os bancos com aqueles que (não sei porque) tem o direito a estarem aqui? Que gente é essa que “rouba” parte das vagas nas GRANDES INSTITUIÇÕES PÚBLICAS? Que gente é essa que não consegue pensar, mas está aqui entre nós, as GRANDES MENTES PENSANTES? Que gente é essa que sai dos guetos e traz um novo som que tenta se afinar com o dos GRANDES MESTRES POSITIVISTAS? Que gente é essa que quer ser gente, mas não consegue pensar como gente GRANDE e por isso faz com que nosso ensino caia? Esse tem sido o discurso de muita gente grande nas Universidades Públicas sobre os cotistas. E o que dirão dos Pró Uni da vida? Esse é apenas um pequeno ensaio de uma discussão que deve continuar. E enquanto nos preparamos, vamos caminhar e cantar pois a morte é certa e o futuro só a Deus pertence! Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Papalagui Honestino um integrante dessa gente.

Texto redigido por Patrícia Prado em dezembro 2005 como manifesto há discriminação sofrida pelos cotistas em uma Universidade Pública de Minas.

terça-feira, agosto 21, 2007

Um passeio pelo Mercado Central

Uma mistura de cores e cheiros recebe-nos. Vozes que se misturam a sons diversos. Pessoas se cruzam, outras se encontram. Essa é a imagem que se forma ao entrar no Mercado Central.
Criado em 07 de setembro de 1929 pelo então prefeito Cristiano Machado, o Mercado Central é um dos pontos turísticos de Belo Horizonte e traz ao visitante a sensação de estar em um cantinho qualquer do interior de Minas.
Apesar de suas miscelâneas de opções, desde animais até vinhos finos, o Mercado permite-nos esquecer o barulho dos carros, a fumaça da cidade, os arranha-céus que nos cerca e nos faz sentir o jeitinho mineiro simples de ser.
Um bom exemplo são os bares. Sem mesas ou cadeiras, os “bares” mais freqüentados são pequenos corredores onde pessoas se apertam a fim de encontrar um espaço junto ao “balcão”. Os atendentes “convidam” as pessoas aos gritos: “ai amigo, uma geladinha?” e assim mais um cliente é conquistado.
Além de flores, objetos, comidas entre outras coisas, o Mercado Central possui também uma capela construída em 1974 para abrigar uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, doação de uma comerciante de frutas que alcançou uma graça.
Esse lugar exótico onde o sagrado convive pacificamente com o “profano” aprendemos a enxergar o mundo com as lentes da simplicidade.
Visitar o Mercado Central é permitir-se encontrar com a história e a cultura de Minas. É vivenciar sensações que o mundo moderno muitas vezes nos rouba. Aprender a aprender. Aprender viver.

Patrícia Prado

segunda-feira, agosto 06, 2007

Um pouco de Antropologia nas Lentes da Sétima Arte

V. de Vingança
A mídia como aparelho de reprodução da cultura dominante é um dos pontos a se destacar no filme V. de Vingança.
No enredo, a potencia mundial não é mais EUA e sim a Inglaterra e essa tem na figura do Chanceler seu chefe de Estado.
Esse governa e controla todas as atitudes dos cidadãos. As emissoras de Tvs reproduzem o que o Estado acha conveniente, ele é a lei e seu guardião.
Em busca de uma vingança plantada há 20 anos V retorna das “cinzas” e começa a eliminação daqueles que outrora foram seus algozes.
Nessa busca ele encontra Evey e ambos descobriram verdades ate então desconhecida. V. descobre o amor e Evey a libertação do medo.
Além da morte de seus carrascos V. tem outro objetivo: libertar seus compatriotas das algemas que os prendem as idéias de um Estado opressor e manipulador. Para isso ele utiliza da mídia, a mesma arma de seu opositor.
Mais que uma ficção, V. de Vingança retrata o poder que a mídia tem sobre as pessoas. As informações que dela surge tem um tom de verdade e sobre elas a sociedade programa sua vida.
Um aparelho que reproduz a cultura, um forte dominador. Utilizando-se da linguagem e da imagem a mídia cria hábitos estabelecendo padrões de conduta. E quem dita esses padrões? A cultura dominante.
Assim um fantasmático vai surgindo em detrimento do epseidico. Loucura? Não realidade. Somos produtos de uma sociedade que baseia seus pressupostos morais nas leis do capital. Somos filhos do capital, e nosso preço oscila conforme a utilidade de cada um para o Estado.
Vendidos somos. Como filhos bastardos somos tratados por esse Estado que figura como um pai mas age como um carrasco. Traídos, somos entregues a nossa própria sorte ou a sua escolha.
Estrutura-se assim os fundamentos da cultura e uma legião de alienados são comandados por ela.
Ao final do filme o herói-bandido morre, mas deixa algo: as idéias. Mas idéias são mais importante que pessoas? As idéias são tão poderosas quanto os aparelhos reprodutores do Estado?. Estaríamos dispostos a morrer pela verdade ou a ignorância ainda é uma maneira mais segura de sobreviver? O Estado não aceita concorrência, eis a questão.
Patrícia Prado

The Matrix

Um filme que a todo momento faz alusão a textos sagrados, assim é Matrix. No enredo que traz a visão do futuro próximo e do controle das máquinas sobre os humanos a ficção busca na realidade subsídios para a construção do problema.
Neo, o Messias aguardado por alguns que acreditam na profecia de um oráculo possui o arquétipo de um avatar.
No primeiro momento não entende o propósito de sua vida mas o encontro com Morpheus abre-lhe a visão e esse prepara-lhe o caminho, como João preparou o de Jesus.
Rico em detalhes, Matrix é a reflexão do mundo e da manipulação dos sistemas vigentes sobre os homens.
De um lado temos alguns que conseguem ver além do que os olhos podem enxergar, conseguem ver a Matrix um sistema de controle das mentes e que tem como guardiões homens que se baseiam em regras.
Mas se a força dos guardiões está nas regras e nela também reside sua fraqueza.
Viver sobre um mundo de regras é viver sobre o domínio de um sistema e isso significa que não somos apenas nos tornamos aquilo que o sistema deseja. O sistema não pode dizer quem somos mas pode dizer quem ele quer que sejamos.
A cultura tem esse poder. Ela molda-nos segundo o seu habitus e como espelhos refletimos sua ética. Somos reflexos da nossa cultura.
Complexo e perturbador pensar na escravização do pensamento pela cultura parece-nos algo impróprio e pior sem resposta. Mas quando os olhos começam a doer é porque estamos começando a utiliza-los em toda a sua potencialidade, conforme diz Morpheu a Neo.
A liberdade é algo particular de cada ser, cabe-nos apenas mostrar a porta, abrir ou não é uma escolha particular.
Pensando nisso podemos inferir que estar submerso na ignorância é talvez uma maneira mais segura e confortável de se viver. Uma vez que os olhos se abrem não há como retroceder e a responsabilidade com a verdade chamam-nos a cena.
Para esses “escolhidos” pela verdade existem apenas um caminho: a morte. Deixar as coisas velhas, os pensamentos mortos e ressurgir e a ressurreição só acontece onde há amor.
Cristo foi morto e ressuscitou porque o amor venceu a morte, Neo perde a vida, mas o amor de Trinity o resgata das sombras da morte.
A esperança da humanidade está no amor. Se os homens entenderam isso seremos livres, livres das emoções frívolas, livres dos desejos que nos aprisionam, livres do interesse que manipula e escraviza vidas.
Quando isso acontecer deixaremos de ser máquinas para nos tornarmos verdadeiramente humanos.
Patrícia Prado

The Matrix Revolution

Segundo os estudos da biologia o cérebro é uma grande rede onde as conexões são feitas entre os neurônios.
Para os defensores da teoria conexionista o senso da realidade depende dos objetos da cultura. São eles que fazem a conexão entre o mundo real e o virtual ou não real.
Nada existiria sem os objetos. Algo somente tem significado quando é apresentado e nomeado. A linguagem é outra ferramenta de conexão.
Em Matrix Revolution, Neo encontra-se preso entre o mundo real e o virtual, entre a realidade e a Matrix. Sua mente não consegue compreender essa dualidade e para libertar-se precisa da ajuda de outros.
Ninguém enxerga além de uma escolha que não entende diz o oráculo. As escolhas dos objetos é que nos direciona e nos conecta aquilo que queremos.
As ofertas são inúmeras mas somente o que é significativo passa a ser real e as vezes é preciso a escuridão para ver o que seja real.
Em um momento do filme Neo fica cego. Seus olhos são feridos e ele perde a visão. Com a ajuda de Trinity Neo é guiado até as cidades das máquinas a fim de cumprir seu destino, o propósito para o qual fora escolhido.
Nesse momento as imagens da realidade surgem a sua frente. Com os olhos feridos ele vê o real.
Temos muitas vezes a falsa ilusão de que o que enxergamos é a realidade e a cultura tem um papel preponderante nessa percepção. Acostumados com essa visão da realidade não se cogita a possibilidade de uma nova perspectiva.
Treinados nossos neurônios se conectam a imagens pré-estabelecidas. Nada é inato tudo é forjado, preparado para a construção de mais uma mente igual a tantas outras. Mas um fio de esperança: não somos de todo programados, não somos máquinas (por mais que os conexionistas digam que sim), somos antes de tudo seres pensantes e essa característica leva-nos ao questionamento de certos habitus, de certos ethos, de certos normas morais.
Patrícia Prado

The Matrix Reloaded

O homem que possui a chave que leva a Matrix é prisioneiro. Intrigante metáfora. Quantas vezes possuímos as chaves, mas não podemos utiliza-las? Quantas vezes sabemos o caminho, mas não conseguimos percorre-lo?
Em Matrix Reloaded algumas frases são verdadeiras chaves que nos serve de respostas para algumas indagações. Uma delas diz respeito as escolhas: escolhas são ilusões, construídas pelos que tem poder e os que não tem. Porque no fundo não temos controle de nossas emoções.
Controlados por outros. Nossas vidas, nossas emoções, nossos desejos. Como ser somos nossas escolhas futuras já estão pré-determinadas pelas regras morais da cultura. Somos respostas dessas regras e damos continuidade a elas.
Assim umas massas de iguais vão surgindo. Mesma forma, mesma aparência, mesmos desejos. Escravos da causalidade todos estão à espera de um milagre e esse milagre são os eventuais que surgem. A eventualidade da vida leva-nos a uma tomada de atitude e essa escolha muda o destino, transforma-nos de pessoas normais a escolhidos.
Tudo é ilusão e é através da linguagem que a ilusão toma forma de verdade, de real.
Um programa perfeito: alguém cria as ilusões e as passa a uma massa de alienados porém uma anomalia pode comprometer o perfeito funcionamento do sistema: o amor.
Em Matrix o amor de Trinity o faz ressurgir em Reloaded é a vez de Neo provar seu amor. Entre salvar Zion e milhares de pessoas e Trinity Neo escolhe a segunda opção. A escolha. O problema da anomalia está na escolha.
Patrícia Prado

A Dança dos Cabelos




A seguir uma linda história escrita por um grande amigo. Seu nome? Ramos ou para os mais íntimos Tierro ou se preferir simplesmente David.


Um sábio Pajé fez uma revisão na língua dos índios.
— Nossa língua tem muitas palavras desnecessárias, ele disse.
— Vamos apagar o “olá” pois nos vemos todos os dias...
— O “talvez” também temos que tirar pois quando estamos juntos não devemos ter dúvidas...vejamos, ele disse pensativo; também o “adeus” temos que esquecer, pois aqueles que se gostam não devem se separar. E assim fez o Pajé, limpou o dicionário das palavras indesejadas na esperança que a população da tribo se tornasse mais feliz do que era.

Mas o tempo foi passando e ao contrário do que o Pajé imaginava, as pessoas foram ficando cada vez mais velhas e tristes. O que está acontecendo, ele pensou, todos deveríamos ficar felizes ao tirar de nosso convívio palavras que não nos são agradáveis, que nos remetem a sentimentos que nos afastam. Foi quando o grande Deus do Tempo se abraçou aos cabelos do Pajé e segredou-lhe;
— O ser humanos é um vulcão, mas ao invés de fogo, quando se ergue ele profere, ele diz, ele fala. Todas as palavras são úteis, e quanto mais se sente, mais força as palavras devem ter. Inventem palavras pois não tem limite a quantidade de sentimentos que a humanidade pode guardar, pode sentir...


Com toda certeza, foi um sentimento muito forte que fez com que criassem a palavra Saudade. Sentimento tão forte que vários idiomas ainda não tem uma palavra correspondente ao que sentimos quando estamos distante de uma pessoa querida. Devemos a palavra “Saudade” aos portugueses, que se lançavam ao mar em busca de novas terras e que traziam no coração a ausência dos queridos. Você também está prestes a sair de nosso convívio, não por vontade ou motivos, mas por capricho, capricho do mesmo Deus do Tempo que nos pôs a inventar palavras. Mas tenha a certeza, gostamos muito de você e estamos já aprendendo novos sentidos para a palavra saudade, assim como descobrindo novidades na palavra amizade!
Tenha força e coragem onde quer que vá.

terça-feira, julho 24, 2007

O processo

O que sou?
Sou o resultado das experiências permitidas.
As marcas que carrego revelam a história.
Eis o preço de se permitir, de se viver, de querer SER.

Patrícia Prado

terça-feira, julho 17, 2007

Because Your love I live, I live

When the darkness fills my senses
When my blindness keeps me from
Your touch Jesus, come
When my burden keeps me doubting
When my memories
Take the place of You Jesus, come
And I'll follow You there
To the place where we meet
And I'll lay down my pride
As you search me again
Your unfailing love
Your unfailing love
Over me again
Your unfailing love - Hillsong

segunda-feira, julho 16, 2007

Íxion

Eu escrevo para me libertar...
Do grito entalado na garganta
Da revolta que enche o peito
Do estigma que marca a alma.

As palavras são as armas utilizadas
Nesta batalha eterna entre a razão e a emoção
Meu opositor? Nem percebe-me...
E mais uma vez sinto que estou
A lutar contra moinhos de vento...

Estou farta! Basta!
Porque o retorno parece ser inevitável?
O Carma, a roda da vida a girar. Íxion.

E eu? O que faço para mudar essa história?
Escrevo. Somente escrevo.

Patrícia Prado

segunda-feira, julho 09, 2007

Phoenix

O que acontece?
Estranha sensação...
Por mais que tente, não há como nomear.
Sei que algo assim já existiu, um dia
Mas se nomeá-lo terei que assumir
A responsabilidade de vivenciar o que esta a acontecer.
Uma coisa é certa: trouxe-me de novo a vida
E isso é tudo, isso é tudo...

Patrícia Prado

sexta-feira, julho 06, 2007

Sobre aqueles que acreditam no além: Uma análise sobre cultura e religião a partir da obra de Nietzsche

Um dia, Zaratustra, ele também como todos os alucinados pelo além, elevou sua ilusão para além do homem. Obra de um deus sofredor e atormentado, assim me pareceu então o mundo.
“O mundo me parecia um sonho, uma ficção de um deus, vapor colorido diante dos olhos de um ser divinamente descontente”.
Bem e mal, alegria e desgosto, eu e tu, tudo me parecia mais vapor colorido diante dos olhos criadores. O criador queria desviar de si mesmo o olhar e então criou o mundo.
(NIETSCHE, P. 35)

Assim falava Zaratustra, de Frierich Willhelm Nietzsche (1844-1900) é uma obra que retrata a busca de um super-homem capaz de superar as mudanças ocorridas na sociedade e consequentemente em si mesmo. A sociedade retratada por Nietzsche é uma sociedade hipócrita, baseada em preceitos moralistas que imobilizam o homem na sua busca de si. Por isso Deus está morto. Nós, membros dessa sociedade o matamos.
Mas se Deus está morto, porque estamos presos as correntes moralistas da religião? Porque o além ainda é mais atrativo que a própria vida? Que mecanismos controlam essa sociedade a fim de ocultar a razão de ser e existir? Sob qual égide está o pensamento desses?
Cultura. É a cultura que legitima o pensamento teocentrico e o trata como herança à posteridade. Sob a égide da cultura firma-se a religião.
No capítulo Sobre aqueles que acreditam no além (NIETSCHE, p.35) o autor faz uma reflexão sobre a necessidade da criação de um deus é inerente ao homem e como essa o aprisiona em conceitos divinos vividos por humanos. Segundo Nietsche o medo do sofrimento leva o homem a busca de resposta além vida, uma forma de não responder as questões que estão sob sua responsabilidade.
Sob a roupagem da religião homens inescrupulosos organizam a sociedade e as manipulam a seu bel prazer. Como em um grande teatro de marionetes a humanidade ensaia os atos que o levarão ao ápice da história: a redenção da alma. O corpo nada mais é que um recipiente ainda em desenvolvimento ao qual abriga uma alma imortal em busca incessante pela perfeição. Imperfeito, esse corpo deve ser domado pelas chibatas da moral. Fé e lealdade aos preceitos: eis a junção que pode libertar-nos do fim.
E assim o homem traça o seu caminho, programa o seu destino e a cada nova geração esses ensinamentos são retransmitidos a fim de garantir a permanência do grupo e da própria humanidade.
Essa permanência só é possível porque a cultura possui mecanismos que garantem a permanência desse ensino, e a educação é sua guardiã. Tais preceitos baseiam-se sempre em conceitos morais e que ganha tom de verdade absoluta quando associado a uma entidade nomeada pelos seus seguidores.
Jeová, Alá, Brama, Amana... Diversos nomes um conceito básico: deus, criador, juiz. Sob suas mãos está o controle da vida e da morte. O destino da humanidade repousa sobre seus ombros e aos homens, cabe obedecer seus preceitos, preceitos esses registrados em livros tão diversos quanto as divindades mas que possuem alto teor de autoridade a ponto de se serem considerados dignos de fé e prática.
A educação é a arma que a cultura utiliza para perpetuar esse círculo eterno. Ela é a guardiã das tradições e como tal cabe a ela ser a transmissora. Um exemplo disso encontram-se nas escolas Islâmicas. Nas escolas corânicas, baseia-se na idéia de que o papel do aluno é ouvir. Nesses estados onde a religião é a lei, nem mesmo a arte fica ilesa de suas restrições. No mundo muçulmano os desenhos produzidos são abstratos, pois só Deus é criador e ao tentar reproduzir o desenho de uma árvore, por exemplo, estariam equiparando ao criador. Por isso sua arte revela-se em traços abstratos ou em forma de mosaico.Segundo Tarik Ramadan, intelectual muçulmano em seu artigo escrito à página da educação , é necessário uma reforma no ensino islâmico caso não queiram se auto-excluir.
A ciência apela: deve-se banir a religião da escola, a instituição deve ser completamente laica.
Vista sempre como inimigo número um da igreja, a ciência esteve por alguns séculos silenciados. Com a ascensão do iluminismo e a busca de resposta pela razão o homem torna-se seu próprio deus colocando-se como centro do universo e de sua vida.
Se penso, logo existo e se existo EU SOU. Não é preciso um deus para dizer o que devo ou não fazer. Sozinho existo, sozinho faço. Mas será que a máxima é verdadeira? O homem conseguiu sobreviver com sua razão? O intelecto deu resposta as ânsias de sua alma infinita?
A filosofia parecia ser a resposta para suas dúvidas e apreensões e o individualismo crescente fez com que os valores culturais fossem mensurados a partir de sua utilidade para o progresso e não pelo seu significado único para cada sociedade.
A corrida pelo sucesso levou os homens a perda de sua identidade primeira: a identidade cultural. Cidadãos de um novo mundo, o deus agora baseava-se no capital e tudo era permitido em nome dele.
Se antes ter era um abismo que separava os homens do criador, agora a religião legitima o trabalho e não é mais proibido possuir. A demência da razão era coisa que aproximava de Deus e a dúvida era pecado. (NIETSCHE, p. 37)
Utilizando-se do discurso religioso, por muito tempo o homem tornou-se cativo dos preceitos morais ditados por alguns que segundo Zaratustra consideram semelhantes a Deus. (NIETSCHE, p. 37).
Nietsche, ao contrário do que muitos acreditam, não é um ateu blasfemo, mas um crítico a organização que utiliza o nome de uma divindade a fim de conseguir poder. A vontade de poder leva os homens há aprisionarem seus próprios semelhantes com as algemas do castigo eterno e é sobre eles que vem a crítica. Utilizando-se do que os homens consideram mais sagrados, esses não medem esforços para deturpar a verdade em busca de sua realização pessoal. Um reflexo da própria evolução do homem.
Se nos primórdios dos tempos a busca incessante do homem era encontrar respostas em como ser, com o passar dos tempos seu ideal passou a buscar subsídios para levá-lo a ascensão nessa vida. Mesmo com o olhar voltado para as coisas terrenas, a visão do além não foi de toda esquecida e isso graças a cultura que ainda prega e guarda esse preceito eterno.
De forma diferente talvez, o além agora pode ser conquistado. Não são mais necessários autos-flagelos o capital pode assegurá-lo. Hedonista, defensores do prazer instantâneo, correm contra o tempo; uma vida fast-food é o que procuram. Em cada praça, em cada vitrine, em cada rua, homens e mulheres, jovens e crianças, a humanidade caminha em passos rápidos como a vida se tornou rápida. Não há tempo para brincar, para conversar, para viver. Time is money diz a cultura vigente e deus legitima isso!
E o interessante é que nossas crianças são adestradas para esse show chamado vida. A programação começa com a demarcação do tempo. Há tempo para todas as coisas diz o Livro, e a escola também acredita nisso. Há tempo para brincar, há tempo para estudar, há tempo para falar.... Mais tempo ainda para silenciar. Silêncio, silêncio, silêncio. É a frase que repetimos todos os dias quando recitamos as máximas ditadas pelo sistema. Fragmentados, somos criaturas em busca de redenção, e quem poderá nos defender de nós mesmos? Uma vez enfermos, menosprezamos o corpo e a terra em busca dessa redenção e inventamos as coisas celestes e as gotas de sangue (...) Mas vejam só, uma vez as inventamos e agora somos nos mesmos que as destruímos! Até esses doces e lúgubres venenos os tomaram do corpo e da terra!
Se Deus está morto tudo me é permitido, não é assim? NÃO! Diz a cultura. Nada lhe é permitido, existem regras e essas devem ser seguidas a fim de mantermos a sobrevivência. Aqueles que não acreditam nisso, sejam lançados fora, para as catacumbas! Escórias da sociedade! Retire do nosso meio o câncer que contamina todo o corpo! Fim aos traidores do sistema!
E a humanidade caminha. Para onde? Não se sabe ao certo, só se sabe que caminham. Parafraseando Pessoa, caminhar é preciso, viver não é preciso. Eis a máxima pós-moderna.
Não somente o corpo mas a terra sente os efeitos decorrentes da morte de Deus. Parte da criação divina, a natureza era uma das maneiras de contato com o criador e para algumas religiões ela continha a essência do próprio deus. Mas, o “apego as coisas desse mundo” levaram alguns a não trata-la como parte da divindade e a sua morte também já a muito fora decretada. Caminhamos rumo ao fim, ao fim da humanidade, ao fim do universo.
Catástrofes, mortes, extinção. Palavras normais no vocabulário do homem pós-moderno e que já fazem parte dos livros didáticos. A nova ordem é reciclar a fim de manter a ordem em meio ao caos. Sempre houve muitos enfermos entre os que sonham e suspiram por Deus. Odeiam furiosamente aquele que busca o saber(...) Ensino aos homens uma nova vontade: querer esse caminho que o homem seguiu cegamente, considera-lo bom e não se afastar dele furtivamente como os enfermos e os moribundos!
Um vapor colorido diante dos olhos de um ser divinamente descontente parecia o mundo aos olhos de Zarastutra. Vivendo uma dialética eterna o criador desvia o olhar de si mesmo e cria o mundo. Um mundo que reflete a eterna contradição, sonho inebriante de seu imperfeito criador.
A cada nova geração surge o mundo e quantos mundos ainda teremos a chance de criar? Quantos “deuses” a educação ainda pregará? O que restará como preceitos basilares da sociedade em questão dignos de ser guardados e repassados?
Como em sonho ainda estamos a delirar na esperança de um mundo melhor menos injusto, menos discriminatório, menos hipócrita. E lançamos sobre o futuro essa esperança e nas mãos de quem? Das crianças. Pobres crianças! Sobre elas pesam o destino da família, o destino da cidade, o destino da nação, o destino da humanidade!
Tutor desse pequeno salvador, a educação assegura através do ensino a cartilha básica que “garantirá” o sucesso em sua batalha contra os inimigos do Estado. Aos pais fica a responsabilidade de nutrir, zelar e cuidar para que os ensinos administrados por esse aparelho legitimado sejam fixados. E a cultura? Essa será a eterna guardiã, que assegurará a continuidade desse projeto eterno que é o de uma sociedade organizada sob leis que garantirá o progresso e o bem estar de todos.porque não dizer de um. Novos deuses em construção, eis o que nos aguarda o futuro e deus? Esse morrerá, se for preciso.

quinta-feira, julho 05, 2007

Quanto vale o seu pensamento?

Quem pensa por si só é livre e ser livre é coisa muito séria.
Renato Russo

segunda-feira, julho 02, 2007

Sabedoria da vida


Me ame quando eu menos merecer, pois é quando eu mais preciso.
Provérbio Chinês